Com 240 robôs com inteligência artificial e capacidade de processar 9 mil encomendas por hora, novo centro de triagem do correio argentino promete acabar com atrasos no auge do e-commerce
Unidade em Monte Grande, na província de Buenos Aires, estreia sistema robótico de última geração com inteligência artificial para acelerar o fluxo do e commerce. A empresa afirma que a tecnologia...
Nesta última terça-feira, 16 de dezembro de 2025, o Correo Argentino inaugurou um novo centro de triagem automatizada em sua planta logística de Monte Grande, na província de Buenos Aires. A unidade passa a operar com 240 robôs autônomos e um sistema que combina inteligência artificial, sensores e algoritmos de roteamento.
O objetivo é atacar um gargalo clássico do setor de logística e encomendas, a separação rápida e correta dos pacotes. Na prática, a companhia afirma que a nova estrutura pode processar até 9 mil encomendas por hora.
O projeto é voltado principalmente ao crescimento do e commerce, já que a automação foi desenhada para itens pequenos e médios, de até 5 quilos. Esse tipo de pacote representa grande parte do volume diário de entregas nacionais e internacionais.
Além do salto operacional, a inauguração foi apresentada como parte de uma transformação mais ampla da empresa. O presidente e CEO do Correo Argentino, Camilo Baldini, citou melhora financeira recente, com reversão de déficit e registro de superávit em 2025.
Centro de triagem em Monte Grande acelera a modernização logística do Correo Argentino
A empresa descreve o equipamento como o primeiro sistema desse tipo instalado por um operador postal na América Latina. A instalação ocupa 1.180 metros quadrados dedicados à classificação automatizada, dentro de uma área operacional maior na planta.
Segundo o Correo Argentino, a montagem do sistema foi concluída rapidamente, em cerca de 50 dias após a chegada da estrutura ao local. A promessa é de mais velocidade e precisão em uma etapa que costuma concentrar atrasos quando a demanda cresce.
O anúncio também busca posicionar a estatal como competidora mais eficiente em um mercado pressionado por prazos cada vez mais curtos. Para o setor, a mensagem é clara: triagem virou tecnologia, e capacidade de processamento passou a ser vantagem competitiva.
Como os 240 robôs autônomos fazem a triagem com inteligência artificial e leitura de códigos
O sistema funciona com 13 postos de indução, que alimentam o fluxo de encomendas de forma contínua. Em seguida, a rede de robôs executa a separação em 130 saídas de classificação, reduzindo desvios e retrabalho.
Na operação, o pacote é colocado no robô por um funcionário, e a identificação do destino é feita por leitura de QR code ou código de barras. A partir daí, os robôs se deslocam de forma coordenada, com rotas calculadas por software, até entregar a encomenda no ponto correto.
A companhia e veículos locais destacam que parte da eficiência vem do “cérebro” do sistema, com algoritmos de direcionamento e comunicação entre robôs para evitar conflitos e otimizar caminhos. A lógica é parecida com um “trânsito inteligente” dentro do armazém, só que em escala de centenas de unidades trabalhando juntas.
Outro detalhe relevante é a gestão automática de energia. O próprio sistema monitora bateria e decide quando cada robô deve se dirigir às estações de recarga, tentando manter o ritmo de triagem sem paradas longas.
Nos materiais divulgados, há vídeos de demonstração mostrando o deslocamento simultâneo dos robôs e o abastecimento constante nas estações de indução. A estratégia ajuda a tornar visível para o público o que normalmente fica “escondido” na logística.
Tecnologia voltada ao e commerce e a pacotes de até 5 kg que dominam o volume
O sorter foi desenhado para a faixa de até 5 quilos, justamente por ser a mais comum nas compras online. Isso inclui eletrônicos menores, moda, cosméticos e uma grande variedade de itens do varejo digital.
Ao focar no miolo do volume, a empresa tenta garantir impacto imediato na experiência do consumidor, com redução do tempo de despacho e melhor rastreabilidade. Em um cenário de alta concorrência, rastrear melhor e errar menos pode ser tão importante quanto entregar mais rápido.
Planos de automação para 2026 incluem segundo sorter, RFID e veículos autônomos
O Correo Argentino afirma que pretende completar a automação total da unidade de Monte Grande em 2026. O próximo passo seria a instalação de um segundo sorter voltado a encomendas maiores, de até 30 quilos.
Além disso, a companhia menciona a adoção de RFID para acompanhamento em tempo real, o que tende a aumentar a transparência do rastreamento e a qualidade dos dados logísticos. A proposta é reforçar a trazabilidade em toda a cadeia, do recebimento ao despacho.
Outros itens citados incluem equipamentos industriais para controle automatizado de faturamento e soluções de movimentação robotizada de contêineres. Entre elas aparecem veículos de guiado automatizado, usados em centros logísticos para transportar cargas dentro do armazém com menos intervenção humana.
No discurso corporativo, o pacote de tecnologias aponta para um modelo “logística inteligente”, com investimentos calibrados para o crescimento do e commerce. Para o mercado, isso pode pressionar concorrentes a modernizar triagem, rastreamento e gestão interna.
Números financeiros e debate sobre automação e empregos na logística argentina
Durante a apresentação, o CEO Camilo Baldini vinculou a modernização a uma virada financeira. Segundo a empresa e reportagens locais, o Correo Argentino teria revertido um déficit de 113 bilhões de pesos em 2023 e registrado superávit de 48 bilhões de pesos até junho de 2025, além de repasses ao Tesouro.
Os números reforçam a narrativa de que a automação não é só vitrine tecnológica, mas parte de um plano de eficiência. Para uma estatal, essa mensagem costuma ser central, porque conecta investimento em robôs à redução de custos e à melhoria do serviço.
Ao mesmo tempo, a adoção de 240 robôs inevitavelmente reabre uma discussão sensível. A automação vai melhorar o serviço sem reduzir postos de trabalho, ou haverá substituição em etapas operacionais ao longo do tempo.
Esse debate tende a crescer conforme a empresa avance para triagem 100% automatizada e expanda para pacotes maiores. A reação do público e de sindicatos pode virar um termômetro importante do quanto a modernização será aceita no dia a dia.
Se você acha que robôs na triagem são o futuro inevitável ou um risco social mal discutido, deixe sua opinião nos comentários. Você acredita que a promessa de eficiência compensa o impacto no emprego operacional. Ou a logística precisa de regras mais claras para não virar uma corrida tecnológica sem contrapartida.



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